Roseli da Silva Pereira
No vídeo Vida Maria podemos ver a vida de várias Marias, geração após geração, presas a uma vida sem perspectivas.
O brilho inocente ante as letrinhas que se formam ao escrever o nome no caderninho parecem descortinar um mundo maravilhoso de coisas a aprender e apreender. Utopia. A realidade dura obriga a seguir caminhos que não se quer, que não se sonha.
O vídeo mostra de uma forma tocante o cerceamento de sonhos diante de uma vida sem escolhas. À primeira vista parece tratar-se de um vídeo “feliz”, em que a personagem, diante de uma janela, simbolizando a abertura para o horizonte do conhecimento, vai descobrindo a alegria que é aprender.
Na medida em que se desenrolam as cenas, mostrando o crescimento da menininha, Maria José, podemos captar a amargura se instalando em sua vida. Aquele caderninho há muito tempo ficou para trás.
É inato ao ser humano aprender, desejar, buscar, mas muitas vezes a herança cultural, social e a necessidade tolhem essa predisposição natural do desenvolvimento.
É complexo e difícil mudar culturas e sociedades onde a educação e o saber não suprem a necessidade imediatista da luta pela sobrevivência. Sobreviver é mais urgente que o saber.
Como mudar então esse ciclo, seja em regiões afastadas ou em grandes centros urbanos, de pais outrora sonhadores que são obrigados a desistir de aprender e que hoje fazem a mesma coisa com seus filhos, mesmo trazendo dentro de si um lampejo de consciência de que tudo podia ter sido diferente?
Eu creio que a informação e a educação são as principais ferramentas para se mudar conceitos e atitudes. Com a educação, escolas e professores, atentos e compromissados com o seu papel de agentes transformadores, paulatinamente, em seu entorno, conseguirão fazer a diferença, fazendo que sociedades empobrecidas, marginalizadas, que não veem saída, mudem e não mais herdem a amargura de seus pais.
Até que Marias e também Josés, preencham muito mais que apenas o seu nome no caderninho da vida.
Bibliografia
Ramos, Márcio - Vídeo “Vida Maria”
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